sexta-feira, maio 27, 2005

Correio da manha entrevista - skinhead

2005-05-27
English Version:
http://caodamorte.blogspot.com/2005/05/interview-to-skinhead-mrio-machado.html

Se a situação se agravar podemos voltar a Coruche

foto por:Vítor Mota


Mário Machado


Mário Machado, segurança, foi um dos cinco cabeças-rapadas identificados sexta-feira pela GNR de Coruche. Diz que foi ao local para ajudar a população e promete voltar com mais ‘skins’ caso os confrontos se repitam com a comunidade cigana.

Correio da Manhã – Qual foi a vossa intenção, em Coruche, na semana dos incidentes com famílias ciganas?


Mário Machado – Queríamos apoiar a população. Achámos que estavam a sofrer represálias da comunidade cigana. Ameaçaram que se iam juntar para enfrentarem a população branca de Coruche. Como brancos, devíamos ajudar, já que as forças de segurança não correspondem às expectativas. Deslocámos cinco nacionalistas para averiguar quantas pessoas seriam precisas e qual a gravidade da situação. Fomos identificados na esplanada do café, meia hora depois de termos chegado. Não tínhamos uma única arma.

Pensam voltar?

– Se a situação se agravar, sim. E desta vez, com mais gente. Depois da nossa presença, em Coruche, trinta pessoas registaram-se no Fórum. O que mostra que somos necessários.

Mas o que é que querem fazer à comunidade cigana?

– Queremos que compreendam que esta não é a terra deles. Para estarem aqui têm de se comportar segundo as normas da sociedade.

Na internet queixam-se de perseguição pelo Núcleo de Investigação Criminal da GNR (NIC). Porquê?

– Há um guarda, que será do NIC, que tem movido uma guerra contra alguns elementos nacionalistas. Temos provas disso, nomeadamente fotografias tiradas pela GNR depois de sermos detidos na Skinhouse de Loures e que estão em segredo de justiça. Essas fotos foram mostradas a indivíduos de extrema-esquerda e a indivíduos que odeiam os nacionalistas. Só que eles vieram dizer-nos o que se estava a passar. Ele faz acusações muito graves, fala sobre a nossa vida sexual, diz onde trabalhamos. Temos um caso mais grave, que foi ele facultar fotos aos ‘ocupas’ (de extrema-esquerda) dos nossos locais de trabalho. Isto começa a atingir o limite, quando a polícia deixa de se preocupar com os criminosos, como em Coruche. E estão preocupados que nacionalistas façam um concerto, onde não foi apanhada uma única arma, não se fumou uma única droga e não se cometeu crime algum. Os nacionalistas não têm liberdade de expressão.

O que é que estavam a fazer na Skinhouse (sede) de Loures quando, a 26 de Junho de 2004, foram detidos?

– Estávamos a celebrar uma festa de anos, como facilmente a GNR pôde comprovar. Quando entraram ilegalmente no nosso espaço, às 02h00, entraram com uma câmara e puderam filmar o bolo de aniversário e viram o B.I. da aniversariante em questão. Infelizmente, um semana depois do concerto do Euro, entraram na Skinhouse numa festa anos e hoje somos acusados de crimes contra a humanidade por termos feito um evento cultural, um concerto de música.

No concerto de Poceirão, a 7 de Maio, houve um grande o aparato policial.

– Que não se justificou. Não ocorreu um único incidente. Temos a preocupação de realizar os maiores eventos longe dos centros urbanos, para não sermos facilmente provocados, por agentes provocadores. Se nos deslocamos 60km, é para estarmos e deixarmos todos sossegados. Infelizmente não vi a mesma GNR em Coruche, quando a população o solicitou. Somos tratados como criminosos e os imigrantes criminosos como as vítimas. É lamentavel.

Após o concerto, a GNR fez uma operação ‘stop’ que não detectou nenhum condutor alcoolizado.

– Seguindo o espírito de mente sã em corpo são, as pessoas não exageraram no consumo alcoólico. Os condutores que se submeteram ao teste acusaram 0,0 de álcool. Gostaria que tais operações policiais se fizessem à saída da Festa do Avante, ou das festas do Bloco de Esquerda, e que nos mostrassem os resultados.

Cumpriu pena pelo homicídio de Alcindo Monteiro no Bairro Alto. Recorde-me essa noite.

– Estavamos a festejar o Dia de Portugal quando um grupo de negros se acercou de um grupo de ‘skins’. Eles tentaram atacar os ‘skins’ que foram de imediato pedir ajuda aos camaradas. Estalou uma batalha racial nas ruas do Bairro Alto, onde negros procuravam ‘skins’, e ‘skins’ negros para a confrontação. Foi um negro a morrer e não um ‘skin’. Se fosse ao contrário, um branco a morrer, era apenas mais um crime. Mas como foi uma “vítima da colonização e dos nossos atepassados que foram para África”, caiu o céu e a trindade. Foram condenados a 203 anos de cadeia por uma morte. Já morreram 355 portugueses na África do Sul, e nunca vi ninguém ser julgado por genocídio.

"SOMOS FACILMENTE PROVOCADOS"

Como é que a comunidade ‘skin’ se organiza em Portugal?

– Noventa por cento do universo ‘skinhead’ não está organizado. Os outros 10 por cento organizam eventos a que a maioria responde.

Existe uma hierarquia?

– Não existe uma hierarquia no movimento, mas pessoas com provas dadas são normalmente reconhecidas e essas têm mais influência nos destinos da causa e mais peso do que os ‘skins’ menos operacionais.

É verdade que dentro da organização Hammerskin, para se subir na hierarquia tem de se cometer um crime?

– Sobre isso não é permitido nenhum nacionalista falar. E eu vou cumprir essa directiva.

O movimento ‘skinhead’ está ligado ao Partido Nacional Renovador?

– Sim. O movimento está ligado a todos os partidos políticos europeus que defendam os interesses nacionais e étnicos da população nativa. Mas também existem ‘skins’ que odeiam o PNR devido a problemas internos. O movimento está mais ligado à Frente Nacional, e esta ao PNR.

Quais são os objectivos da vossa organização?

– Posso falar sobre a Frente Nacional. Militamos na apresentação da alternativa nacionalista, de combate ao sistema pro-globalização Não somos nem de esquerda nem de direita, somos contra o sistema da destruição nacional.

Por que é que vos associam à violência?

– Porque infelizmente se um nacionalista cometer um crime, foi um crime nacionalista. Se for um comunista, foi apenas um indivíduo. Nós não somos provocadores, somos é facilmente provocados.

PERFIL

Mário Machado, de 28 anos, entrou aos 13 para a Juventude Leonina, uma das claques do Sporting. Deixou-se ir na moda dos ‘skinheads’, porque, diz, “gostava da maneira de vestir”. Os livros e a ideologia vieram mais tarde. Hoje é um apaixonado por Hitler.

Segurança de profissão, foi condenado, em 1997, a uma pena de prisão de quatro anos e três meses por envolvimento na morte de Alcindo Monteiro – crime ocorrido em 1995, no Bairro Alto, em Lisboa, e que levou à condenação, no Tribunal Criminal de Monsanto, de 17 cabeças-rapadas. Mário Machado consta dos registos criminais das polícias europeias.
Sónia Simões