quinta-feira, maio 19, 2005

Marlon Brando - o melhor actor de sempre


nascido em 3 Abril 1924(Omaha, Nebraska, EUA), morre em 1 Julho 2004(Los Angeles, California, EUA com doença pulmonar)

Os 43 filmes em que participou como actor:
http://www.imdb.com/name/nm0000008/

Sobre os meus filmes(trilogia) preferidos dos 42:

O Padrinho



1972, 1974, 1990. Estas são as datas a recordar, as respectivas de “O Padrinho I, II e III”. Uma das mais brilhantes, influentes e incontornáveis trilogias que o cinema já ofereceu aos seus espectadores. A variar dos tons ocre ao colorido das festas, desde as primeiras décadas do séc. XX e até ao seu final, esta é a história de três gerações de uma das mais emblemáticas famílias (e Família) que já passaram pelo cinema. Descubra quem são os Corleone, de onde vieram e como cresceram no poder, e ao mesmo tempo conheça uma parte da história da América, do submundo da máfia e claro, veja a emergência de um leque de actores inigualáveis.

Tudo começa sempre em festa, em qualquer um dos três filmes, mas a tragédia nunca anda longe. Casamentos, baptizados, ordens de honra... mas no final –como já dizia Kubrick- acabamos todos iguais. “O Padrinho” mostra-nos que a diferença está apenas nos anos antecedentes. Vito Corleone/Marlon Brando despede-se da vida em paz; Michael Corleone/Al Pacino em total arrependimento e remorso.

Até aos anos 70 o cinema apenas tinha dado a conhecer e enfatizado a relação... digamos de “opostos interesses”, entre gangsters, ‘mobsters’ e vilões ‘al caponianos’ face aos polícias da praxe. O mesmo é dizer que a grande generalidade dos filmes mostrava a típica história de ladrão-rouba-polícia-procura-ladrão-foge-polícia-corre-polícia-agarra-ladrão-esquadra. Com “The Godfather I, II e III”, Puzo e Coppola dão-nos uma trilogia onde a presença da polícia se conta pelos dedos das mãos, onde a palavra “máfia” escassamente é ouvida (no primeiro filme não é mesmo nunca mencionada) e reinventa um género com repercussões a ultrapassar as de um sismo na mais alta escala de Richter.



A oposição ética entre o anjo do Bem e o demónio do Mal encontram-se aqui dentro do mesmo círculo, e muitas vezes nas mesmas personagens. Michael Coerleone mostra-nos como os fins justificam os meios, mas Vito não é tão radical. E é curioso ver como no primeiro filme Coppola até nos faz criar uma certa simpatia para com o Padrinho Marlon Brando.

Da Sicília a Nova Iorque, os Corleone crescem, sofrem, lutam, perdem, ganham, morrem, nascem, renascem... Tudo se passa em família. Tudo se passa entre famílias. Mesmo na parte III da trilogia, a presença da comissão de inquérito a Don Michael Corleone não deixa de parecer ‘intrusa’ e inglória; o poder da Família desde 1972 que nos foi mostrado ser demasiado grande; apenas se fazem apostas para acertar na solução que os Corleone irão encontrar para sair incólumes.

A sociedade não os vê nas revistas da “socialite”, pouca gente os conhece para além das outras organizações criminosas e dos agentes da lei, mas que eles existem, disso ninguém duvida, e meia América está sob o seu domínio. É este fascínio que indelevelmente nos passa ao ver “O Padrinho”.



A variar entre imagens mais límpidas e os tons ocres (vénias à cinematografia de Gordon Willis), esta é a história de três gerações, desfilando à nossa frente nos rostos de Robert DeNiro (o jovem Vito), Marlon Brando (o eterno ‘Godfather’, Vito na sua idade mais madura), Al Pacino (Michael) e Andy Garcia (Vincent Mancini/Don Corleone). E claro, a composição orquestral de Nino Rota ainda hoje sibila nos lábios de meio planeta; muitos podem nem saber que vem daqui, mas todos a conhecem.

Há de tudo em “The Godfather”. Homicídio, amor, paixão, tragédia. Mas Coppolla mostra-nos que só não há lugar para a traição, nem para cometer erros; a morte espera-os a ambos. Aprendemos ainda que os inimigos devem ser mantidos bem perto e na parte II tomamos já conhecimento do pensamento que será fundamental para Marlon Brando no projecto que Coppolla filmaria a seguir: “Apocalypse Now” – é preciso temer e honrar quem luta por um ideal.

Vito é cauteloso e paternal, Michael o eterno ser humano perdido e amargurado na procura do rumo certo. As fotos do primeiro filme, que mostram o rosto de Michael ensombrado pelo chapéu, bem como o final do segundo filme da trilogia, resumem quase tudo. Aliás, a última cena de “O Padrinho II” sublinha-nos as personalidades e interesses de cada um, as razões por que no futuro Michael excluirá Tom Hagen/Robert Duvall, e como a sua referência é e será sempre o pai, que sente nunca conseguir igualar.



O porquê é-nos revelado no final da trilogia, com o tomo III da saga, e é o próprio Michael que o diz, em confissão ao recém falecido Don Tommasino: “porque era você tão amado e eu tão temido?”. Também Vito Corleone sabia ser implacável e temido, mas igualmente amado pelos seus. Michael nunca soube.

Ao fim de 18 anos e com 3 filmes, Puzo e Coppola dão azo para que pelo mundo fora surjam estereótipos, imitações boas, cópias baratas e sucedâneos que ainda hoje não cessam de aparecer. Pelo meio ficou o lançamento de estrelas da representação para o álbum dourado da 7.ª arte, onde o parto mais difícil foi sem dúvida Al Pacino, fruto da parca visão que alguns executivos de Hollywood mostraram ter nessa altura.

Se resumos podem ser feitos, o primeiro filme centra-se sobre a família Corleone na sua sobrevivência e emergência, o segundo sobre a corrupção e a desintegração familiar, o terceiro fala-nos de redenção e mostra-nos que o crime não necessita droga, bebidas ou jogo para se movimentar. As relações de negócio sempre complicadas entre Famílias estão presente em todos eles.

The Godfather/O Padrinho, no seu conjunto, é por tudo isto e muito (mesmo muito) mais uma obra imperdível, imprescindível e importantíssima no orientar do curso tomado por uma parte da cinematografia e produção televisiva a partir do último terço do séc. XX. E as consequências e expansão causadas por este Big Bang tão cedo não vão cessar.
por:Ricardo Jorge Tomé

Marlon Brando sobre os judeus:

"Hollywood is run by Jews; it is owned by Jews--and they should have a greater sensitivity about the issue of people who are suffering. Because...we have seen...the greaseball, we've seen the Chink, we've seen the slit-eyed dangerous Jap, we have seen the wily Filipino, we've seen everything but we never saw the kike. Because they knew perfectly well, that that is where you draw the [line]."
--Brando em Larry King Live