quinta-feira, setembro 01, 2005

Mail de uma Professora




Devido à elevação, tolerância e espirito democrático, raramente visto nos que se auto-intitulam amantes e defensores da liberdade de expressão, resolvi publicar este mail de uma Sra. Professora, preocupada com os seus alunos, e que me alertou para certos teores de certas mensagens que deixo aqui neste blog.
Já anteriormente e por outros canais, via forum-nacional, pessoalmente etc, varios camaradas tinham me chamado à atenção para me conter dentro do possivel, nas afirmações que faço, porque quer queira quer não, sou para alguns adolescentes e jovens um exemplo a seguir, ou um icon do movimento skinhead, nacionalista, o que queiram chamar, isto sem querer de forma alguma mostrar algum pretenciosismo ou algo do genero.
Aos mais "permeáveis" aos textos deste blog, a minha intenção é informar, incentivar, fazer com que tenham orgulho em vocês e na vossa raça, e nunca que andem por ai a cometer crimes. E já agora poupem as vossas professoras, que há umas que ainda dignificam esse nome.






Boa tarde,

Sou professora e no ano lectivo que agora termina, leccionei numa
turma de formação profissional, destinada a alunos com dificuldades em
concluir o 9º Ano. São alunos com repetências frequentes, indisciplina
grave e, normalmente, provenientes de famílias problemáticas.
Desinteressados por quase tudo o que os rodeia, fiquei surpreendida ao
encontrá-los na Mediateca, a consultar um site na Net. Perguntei do
que se tratava e responderam-me que estavam a ver: "…um blogue muito
interessante de um gajo que limpou o sebo a um preto no Bairro Alto".
Para eles, o "werwolf" é um herói, um ícon, um modelo a seguir…

Mais tarde consultei, por curiosidade, o referido blogue. Consegui
percepcionar, de um modo geral, as ideologias que perfilha e considero
que tem todo o direito de as divulgar, já que sou uma acérrima
defensora da liberdade de pensamento e expressão. Contudo, é notória a
abordagem indirecta, mas também directa, do recurso à violência (é o
caso da foto: é assim que se combate os imigrantes…), como forma de
resolver determinados problemas.

Não sei se alguma vez pensou na influência que as suas palavras podem
exercer neste tipo de jovens. Provavelmente, tem mesmo por objectivo
incutir as suas ideias nas pessoas desta faixa etária. O problema é
que raramente estes miúdos são movidos por ideais, não lutam por
causas, não tem espírito crítico e nem conseguem explicar,
racionalmente, os motivos das suas acções.

Acontece que foram frequentes, ao longo do ano, as agressões destes
jovens a colegas que, pelo modo de falar ou agir, eram interpretados
como "maricas";
Ameaçaram e deram "enxertos de porrada" (como eles dizem…) a colegas
negros que nunca, sequer, lhes tinham dirigido a palavra ou lhes
tinham feito qualquer mal;
Danificaram o carro e jogaram um "x-acto" a um professor (que, por
sorte, escapou ileso!) porque era "monhé";
enfim, o rol de atrocidades foi extenso…

Apesar de lhes dar "sermões" e de os censurar por tais atitudes,
escapei a qualquer agressão (e até nem fui mandada para nenhum sítio
menos próprio!), talvez porque correspondo ao padrão que eles
consideram normal (branca, portuguesa, hetero, não islâmica…), ou
talvez porque sabem que me preocupo com eles, quero que sejam pessoas
integradas na sociedade, felizes e sempre lhes ensinei que um dos bens
mais preciosos do Homem - a Liberdade - deve ser exercido com
responsabilidade e termina quando começa a liberdade/individualidade
do outro.

Confesso que hesitei em mandar esta mensagem. Provavelmente irá
apagá-la convencido de que sou uma "parva" que tem a veleidade de o
responsabilizar por atitudes de jovens, a que é completamente alheio.
É óbvio que não é essa a questão. Não tem culpa pelos actos de outros.

O meu objectivo é o de alertar para a forma como os adolescentes são
permeáveis a modelos, exemplos e palavras. Já que parece estar a
exercer algum fascínio nestes ou, quem sabe, noutros jovens, de outras
escolas, isso torna-o, também, um pouco responsável pela formação do
seu carácter. Acredito que pode continuar a difundir a sua ideologia
minimizando a referência a armas, soqueiras, agressões verbais e
físicas. É só querer…

Felicidades,

A. M.